.oOo.- I

(a boredom repository)

17/04/2004

Paulo Caruso É bicha

Não é exatamente uma reportagem, primeiro porque eu não sou jornalista e, mesmo que fosse, o treco aconteceu no dia 31 de março, ou seja, não é nada de atual. Mas valeu a pena ter tido paciência porque, no domingo (não o de Páscoa, um antes), saiu a cobertura do "evento" na Gazeta do Povo e eu pude dizer:
- Que bosta puxa-saco. Até eu fazia melhor.
E fazia mesmo.

Então, botaram o tal do Paulo Caruso num negócio que chamam de "Café Literário", onde colocam um cristo que acha que vai ser entrevistado e um monte de babacas puxando o saco dele, fazendo perguntas do tipo "o que você acha da nossa cidade?", mostrando sua grande panca intelectual. Eu fui porque meu irmão quis ir, senão nem ia ter ficado sabendo.
Pra começo de história, escolheram um lugar chamado Bar Brasil, sabe Deus se foi por causa da outra encarnação da Avenida Brasil ou só coincidência playboy. OK, intelectualóides adoram coisas que posam de nacionais. Sabe aquele tipo de lugar MPB-fashion, no meio do Batel [>playbas!<. Saúde], com arrotos de arquitetura esquisita [cof, cof, bolinhas na parede da cozinha e mesa tão alta que vc não sabe se é pra sentar ou fazer de apoio, argh, cof] mas com cópias ampliadas de partituras de sambas na parede? Então.
Aí­ era pra ser "entrada franca", segundo o jornal. E o bar, atenciosamente, nos lembrou que a entrada era franca somente para os convidados. Depois de explicar para o gerente que a Gazeta havia nos enganado, ele liberou nossa entrada - e eu comprei a Pepsi mais cara da minha vida com esse dinheiro.

A "palestra" começou razoável (para quem interessa). Perguntaram pro cara se ele fazia diferença entre cartum, charge e caricatura, e ele respondeu e acabou com as definições do Chico [Chico Caruso, irmão global do Paulo =P]. Até foi interessante, essa: se você está pensando na imagem de uma multidão, "no cartum você representa todo mundo; na charge, duas pessoas numa situação; na caricatura, a cara de uma única pessoa". Depois o cara fez um paralelo sobre a carreira dele e a do Chico e mandou um cara que chamou ele de Chico pra puta que o pariu, o que foi o ponto alto do evento, segundo a resenha da Gazeta. Até teve apanhado histórico (citou um cara lá do século XV, da época dos descobrimentos e tal) e explicação de por que o caricaturista às vezes vale mais que um fotógrafo. Mas NÃO, o ponto alto foi a mandada pra pqp. E a presença de um big brother lá (detalhe: eu nem sabia que o cara era um BBB, só olhei a morena que tava com ele, vestida de paquita, com siliconão saltando e aquela blusa de manga comprida mas que só cobre os peitos - um absurdo da metafí­sica estilí­stica - e me perguntei se ela tava lá pra dar pro vacilão que tava dando a palestra, mas ela era a namorada do BBB).

Ah, era o lançamento do livro do convidado. Então ele falou um pouco sobre a carreira dele e sobre como a censura atualmente é econômica, ilustrando com a represália que recebeu de uma certa revista para a qual ele trabalha depois de ter tirado sarro da situação de um dos patrocinadores. E sobre como você tem que mudar de personalidade dependendo da revista para a qual você faz um trabalho [é meio óbvio, mas, enfim, eu esperaria ouvir isso era do Angeli "puta véia"].

Somando-se ao fato da maravilhosa colocação dos mortais que não eram da Fundação Cultural nem da Gazeta lá no mezanino, bem longe de qualquer possibilidade de visão além das bundas na grade e um microfone pra questões de vez em quando, vieram as inteligentíssimas perguntas da platéia sobre "como é que você desenha" e "o que você está achando da cidade" e as brilhantes colocações de um artista, que eu não vou dizer quem era porque o filho dele vai no mesmo bar que eu, mas precisava estar bêbado pra carai (porque nenhuma criatura na face da terra seria tão puxa-saco infantil depois de determinada idade, sabe? Certos tipos de merda e musiquinhas tanças você fala para uma pessoa quando ela estão na sua mesa com uma cerveja, não num palco) pra ter passado o carão que passou.
No final, o PC terminou de esnobar o povo dizendo que ia sortear dois originais (leia-se: rabisco gigante de carinha com pincel atômico) "pra você levar para casa sujar com suas mãos gordurosas" e ficou lá na frente, dizendo-se "aberto para visitação", mas não respondendo a nada a não ser àquele bando de puxas que estava lá na frente só pra relar a "mão gordurosa" mesmo.

Eu queria perguntar se ele ainda achava que era livre pra desenhar o que quisesse. Queria, mesmo. Principalmente depois que ele disse que nem no Pasquim, que posa de liberalíssimo, ele pode zoar quem quiser. Mas não perguntei, até porque nem tive a chance.

Agora, apesar de tudo, o treco realmente PODERIA TER TIDO algum conteúdo e, descontando as perguntas, uma cobertura INTELIGENTE poderia ter resultado em alguma coisa melhor do que os trechos da resenha de um jornal que eu vou transcrever abaixo, mas não na Í­ntegra, porque daí­ não posso ser processada por plágio (quotation with citation is not a sin), e sei que isto vai ficar gigante mas FODA-SE, eu vou comentar.

Fonte: FERNANDES, José C. & BROWNE, Rodrigo. UM POR DOIS E TODOS POR UM. Gazeta do Povo, 4.abr.2004, CadernoG, p.8


Paulo parecia uma metralhadora giratória - fala mil coisas ao mesmo tempo, atropela passado, presente e futuro, toca violão, canta, projeta slides, assobia e chupa cana
1) Quem assobia e chupa cana é bicha.
2) O cara só falou demais pra quem não consegue processar mais do que duas orações por frase.
3) Isto é tudo que apareceu na reportagem inteira sobre o que foi dito na palestra.

Ah! Os versos do Retta são impublicáveis, de modo que devem ficar na memória diária dos participantes - em especial em algumas horas. Quem mandou faltar. Palmas para ele, que agora, com Solda e cia., está convocado a ser chefe de animação nos próximos cafés.
O que o repórter quis dizer com isso, principalmente esse lance de "em algumas horas", eu não sei. O Retta em questão é o cara dos passarinhos em tela. Os versos não poderiam nem deveriam ser publicados, mas não porque são impublicáveis, e sim para não matar o cara de vergonha e o jornal levar um processo por difamação (além do que a probabilidade de que o repórter não tenha conseguido anotar nem metade das palavras é bem alta).

Seguem-se a estas duas brilhantes pérolas da competência em jornalismo mais 10 pequenos parágrafos citando grandes personalidades internacionalmente conhecidas, entre eles: um vendedor de empadinhas, uma performer de malabares e um desenhista da Mad. :-)
Agora, o parágrafo mais bonito de todos:

O ex-BBB Buba - que é um dos proprietários do Bar Brasil - chamava a atenção de todos, como uma das celebridades da noite. Acompanhado pela noiva Dilly, Buba distribuía fotos autografadas para alguns fãs. Poucos notaram que ele estava com um all star vermelho superfashion.


Pronto. Taí uma amostra do que acontece quando você manda alguém com vocação de colunista social cobrir um evento pseudo-cultural. Detalhe: tem muita gente que deve ter achado tudo lindo. Maravilhoso. Tipo Bete, assim.
Ah é, eu não sei se o PC em questão é bicha ou não. Mas que é engraçado escrever isso, é sim. Atitude de bicha não tem desconto.